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Países emergentes

Em encontro do BRICS, Haddad destaca reforma tributária e transição ecológica no Brasil e defende pulverização da indústria no mundo

Ministro prega maior distribuição das atividades industriais mundo afora e destaca matriz de energia limpa brasileira

Por  Marcos Mortari -

Em sua primeira participação em discussões no âmbito do BRICS (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), destacou, nesta terça-feira (22), as realizações do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos primeiros oito meses de gestão e que podem atrair o interesse de investimentos externos ao país.

Na abertura do Fórum Empresarial do BRICS, que desta vez ocorre em Johanesburgo, na África do Sul, Haddad chamou atenção de CEOs para a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição que trata da reforma tributária dos impostos sobre consumo (PEC 45/2019) pela Câmara dos Deputados em julho e disse que o texto será finalizado e promulgado ainda em 2023, retirando do caminho um dos principais gargalos da economia brasileira.

“O Brasil ansiava uma racionalização do seu sistema tributário, que afastava investidores estrangeiros, diante da complexidade de um país federativo em que cada estado tinha uma legislação própria e nem sempre coerente com os demais estados”, afirmou.

Haddad também destacou o que chamou de “reorientação” da política ecológica brasileira. “[Nos últimos anos,] o Brasil se distanciou muito dos objetivos firmados nos fóruns internacionais a respeito da mudança climática. E o presidente Lula, não só pela sua própria voz, mas pela nomeação de Marina Silva para o Ministério do Meio Ambiente, sinalizou, a partir do primeiro dia de seu mandato uma total reorientação de prioridades em torno da mudança climática, desafio global da maior importância”, disse.

Nesse aspecto, o ministro disse que o Brasil é um “campeão” na geração de energia limpa, com uma matriz composta por energia hidrelétrica, solar, eólica, além dos investimentos feitos nos biocombustíveis, com destaque para a incipiente produção de hidrogênio verde.

“O Brasil pretende ser fonte de energia limpa para si próprio, porque é um país que pretende se neoindustrializar, mas também é um país que pretende exportar energia limpa para o mundo, na forma de energia limpa propriamente limpa, mas também na forma de exportação de produtos verdes”, pontuou.

Em outro eixo de seu discurso, Haddad defendeu que haja uma maior distribuição das atividades industriais mundo afora, reduzindo o nível de concentração em alguns poucos países (o que na prática contrasta com a hegemonia chinesa neste quesito), de modo a garantir maiores condições de sustentabilidade e estabilidade nas relações entre os Estados.

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“Penso sinceramente que África e América do Sul podem ser plataformas para a diversificação das atividades industriais globais. O mundo vive um retrocesso do ponto de vista da globalização, mas isso pode significar um movimento de diversificação e pulverização das plantas industriais, oferecendo para os nossos povos salários e empregos mais dignos e qualificados, para que as oportunidades sejam distribuídas mais equanimemente pelo globo terrestre”, afirmou.

“Não há necessidade de concentrar toda a produção em poucos Estados nacionais. Até para a valorização das soberanias nacionais e da diversidade cultural, que é um valor intrínseco aos BRICS, é importante que haja uma diversificação e pulverização das atividades industriais, pela segurança do planeta e pela melhoria das condições de sustentabilidade”, prosseguiu.

Na avaliação de Haddad, os desafios globais vêm se acumulando e sobrepondo desde a crise financeira de 2008, somando-se aos efeitos da pandemia da Covid-19, a inflação elevada e a desaceleração de diversas economias mundo afora, além da própria emergência climática. Mas não fez qualquer menção à guerra entre Rússia e Ucrânia.

“É hora não apenas de pensar no plano doméstico, (…) mas também olhar para o plano internacional. É nesse aspecto que os BRICS têm uma contribuição inestimável a oferecer”, frisou.

O ministro defendeu que, a despeito das diferenças entre seus países integrantes, os BRICS se unam em tornos de “valores comuns”, e salientou a liberdade, a soberania nacional e promoção de um mundo equilibrado “em que não há mais donos, mas povos soberanos”.

“Acreditamos que os BRICS têm uma grande contribuição a dar. Brasil, África do Sul, Índia, China e Rússia podem, cada um a partir da sua perspectiva, oferecer ao mundo uma visão que seja coerente com seus propósitos e que não signifique nenhum tipo de antagonismo a outros fóruns importantes dos quais nós mesmos participamos”, disse.

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