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dragão e tigre - Vale (VALE3), CSN (CSNA3), Gerdau (GGBR4), Usiminas (USIM5) e mais

Siderúrgicas devem sofrer com queda de volumes e menores preços, enquanto mineradoras devem vender mais e ter preços em linha na base trimestral

Vitor Azevedo

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A temporada de resultados do quarto trimestre de 2022 começou na semana passada, mas ganha força nos próximos dias. No próximo dia 10 a Usiminas (USIM5) será a primeira companhia do setor de siderurgia e mineração a apresentar seu balanço.

Para analistas, no entanto, a siderúrgica sediada em Belo Horizonte pode assustar um pouco, com seus números, os investidores despreparados para a bateria de balanços. A companhia possui as piores projeções entre o grupo de seus pares, composto por Vale (VALE3), que divulgará seus dados de produção nesta terça, CSN (CSNA3), CSN Mineração (CMIN3), Gerdau (GGBR4) e ainda pela CBA (CBAV3).

“As mineradoras devem superar as fabricantes de aço no quarto trimestre de 2022”, diz a equipe de analistas do Bradesco BBI, chefiados por Thiago Lofiego. “Essas últimas continuam enfrentando o descompasso entre preços dos produtos vendidos mais baixos e custos mais altos”.

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De acordo com o relatório Steel Business Briefing (SBB), da S&P Global, os preços médios de aço plano e longo no mercado caíram, respectivamente, 13% e 6% na base trimestral, com uma demanda mais fraca tanto no Brasil quanto lá fora.

Já segundo o Instituto Aço Brasil a demanda de aço doméstico caiu 12% na comparação do intervalo entre outubro e dezembro com o intervalo de julho a setembro. A demanda por aço longo caiu 17% e a por aço plano, 8%.

Por fim, os custos destas empresas devem continuar elevados, impulsionados, principalmente, pelo preço do carvão mineral. Essa commodity, muito utilizada pelas metalúrgicas em seus fornos, disparou após a guerra da Ucrânia, uma vez que está sendo utilizada como alternativa por países europeus ao gás natural.

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“Neste contexto, esperamos que as siderúrgicas apresentem os resultados mais fracos trimestralmente, reforçando a nossa visão de que os resultados do segundo trimestre de 2022 foram os resultados trimestrais máximos para o setor”, defendem os especialistas do Santander Rafael Barcellos e Arthur Biscuola.

A equipe do Bank of America espera tendências mistas para os setores de metais e de mineração: o primeiro, para eles, deve sofrer com preços mais baixos e com a sazonalidade fraca (especialmente mais forte neste ano, com pessoas fazendo ainda menos reformas por conta da Copa do Mundo), enquanto o segundo deve se beneficiar da reabertura da China, que começou já em dezembro.

Outras casas vão no mesmo sentido.

“O quarto trimestre deve apresentar resultados mais fortes para mineradoras e resultados mais fracos para siderurgia quando comparado ao último trimestre. Esperamos discussões sobre a reabertura chinesa impactando a demanda de minério de ferro e aço e temores de recessão econômica na Europa e nos EUA”, dizem os analistas da XP Investimentos, liderados por Andre Vidal.

“Usiminas, Gerdau e CBA, provavelmente, sofrerão com volumes e preços menores no mercado doméstico, enquanto a Vale e CSN devem se beneficiar de fortes resultados na divisão de minério de ferro”, destaca o Itaú BBA.

Usiminas atrás da Gerdau

Se as siderúrgicas devem se sair pior do que as mineradoras, a companhia que abre os resultados é, de todo o setor, a que menos anima analistas.

“Vemos os resultados da Usiminas chegando ao fundo no quarto trimestre. Estimamos um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) recorrente de R$ 493 milhões, com queda de 41% na base trimestral”, expõe o BBI.

O banco brasileiro enxerga que a companhia trará uma queda de 11% nas remessas de aço doméstico, para 833 mil toneladas, com demanda sazonal mais fraca, e de 5% nos volumes exportados, para 103 mil toneladas.

“A Usiminas deve ser mais uma vez o destaque negativo do trimestre com uma contração de Ebitda de mais de 60%, impulsionada por menores volumes de aço e preços realizados e os custos permanecem elevados”, diz o BofA, que prevê um Ebitda de R$ 461 milhões.

O consenso Refinitiv projeta que a Usiminas trará um Ebitda de R$ 477,7 milhões. Para a receita líquida, a projeção é de R$ 7,3 milhões e para a bottom line a projeção é de prejuízo de R$ 22,7 milhões.

A Gerdau, para especialistas, também deve frustrar um pouco, mas será salva parcialmente pela sua frente de negócio nos Estados Unidos, que trará queda de performance, mas menor e mesmo assim com margens ainda muito mais elevadas do que a brasileira.

“As margens tendem a diminuir no quarto trimestre. No Brasil, as remessas de aço longo domésticas devem cair substancialmente, em cerca de 17% na base trimestral, os preços domésticos devem recuar de 5% a 6%, enquanto o custo por tonelada continuará igual”, diz a equipe do BBI. “Isso deve levar a margem Ebitda da divisão brasileira a cair para aproximadamente 12,5%, ante 18,4% no terceiro trimestre”.

A XP Investimento  estima volumes e custos estáveis na base trimestral América do Norte, apesar dos preços realizados mais baixos levarem a margem de 32,9% para 26,4%. Para a unidade Brasil, a projeção da corretora é de queda de 13% dos volumes, o que é explicado maioritariamente pela sazonalidade e festas de final de ano,  preços realizados 5% mais baixos e custos flat, que se traduzem em margens de 11,9%.

Com isso, a margem Ebitda projetada pelos analistas da XP para a Gerdau, que teve cerca de 36% da sua receita proveniente da América do Norte no terceiro trimestre, é de 19%, consideravelmente maior do que a de 7% calculada para a Usiminas.

Para a Gerdau, o consenso Refinitiv projeta um Ebitda de R$ 3,8 bilhões, uma receita líquida de R$ 18,9 bilhões e um lucro líquido de R$ 1,9 bilhão.

CSN impulsionada por braço de mineração e Vale é destaque

Enquanto as companhias de metalurgia não empolgam muito, as mineradoras deixam os observadores um pouco mais otimistas.

Como já mencionado, o minério de ferro vem em uma tendência de alta de demanda desde o fim de dezembro, em meio ao fim das restrições impostas pelo governo chinês para conter a Covid-19 e também por conta da sazonalidade, em um período marcado, normalmente, pela recomposição de estoques – isso ao mesmo tempo em que a oferta anda fraquejando por parte dos produtores.

A CSN, com isso, deve trazer números mais equilibrados por conta da sua participação relevante na CSN Mineração.

“Aumentamos nossas projeções para a CSN. Agora estimamos um Ebitda de R$ 2,5 bilhões, 13% maior do que na nossa última projeção, com resultados de mineração mais forte”, debatem os analistas do Morgan Stanley. “Em siderurgia, a CSN deve ser a única a apresentar crescimento de Ebitda trimestral, mas devido aos melhores resultados da mineração, o EBITDA de siderurgia deve cair dois dígitos”, acrescenta o BofA.

O Morgan Stanley aumentou sua projeção para o Ebitda da CSN Mineração, na qual a CSN tem participação de mais de 79%, em 83%, para R$ 1,5 bilhão, ante R$ 926 milhões no terceiro trimestre. Quanto à holding, a previsão é de um lucro operacional de R$ 2,8 bilhões.

O BofA tem visão semelhante e vê o Ebitda de aço da CSN caindo 32% na base trimestral, para R$ 800 milhões, mas com o resultado total da companhia trazendo alta de 8% na comparação com os três meses imediatamente anteriores, por conta  do segmento de minério.

De acordo com a Refinitiv, a CSN deve trazer um Ebitda R$ 2,9 bilhões, uma receita de R$ 10,7 bilhões e um lucro líquido de R$ 922,1 milhões. Quanto à CSN Mineração, as projeções são de um Ebitda de R$ 1,2 bilhão, uma receita de R 3,35 bilhões e um lucro de R$ 799,5 milhões.

A Vale, por fim, deve ter resultados impulsionados, principalmente, pelo maior volume vendido, sendo que preço realizado do minério ainda divide parcialmente os analistas.

“A Vale deve embarcar 90 milhões de toneladas de minério de ferro no total, com alta de 16% na base trimestral. Com isso, vemos o custo caixa melhorando, dada a maior diluição dos custos fixos, ficando em US$ 22 por tonelada, baixa de 3% no trimestre”, explicam os especialistas do BofA. “Os melhores volumes, juntamente com os preços realizados mais altos, mesmo que o preço de referência for 4% para baixo no trimestre, e os mecanismos de preços provisórios devem levar a realizações de preços mais altas, gerando receitas mais fortes”.

A projeção do BofA é que a Vale trará um Ebitda de US$ 5 bilhões, a mesma coisa que espera o Bradesco BBI e pouco menos do que os US$ 5,1 bilhões do Santander.

“As remessas de minério de ferro devem melhorar sazonalmente e esperamos 91 milhões de toneladas, alta de 17% no trimestre, enquanto os preços médios caíram 4%, para aproximadamente US$ 99. No entanto, vemos o custo caixa saindo de US$ 22,8 por tonelada para US$ 21,5 e os custos totais saindo de US$ 51 para US$ 49”, diz o BBI. “Esperamos que a Vale informe uma produção de minério de ferro de 80 milhões de toneladas, com um preço realizado de US$ 95”.

O consenso Refinitiv para a Vale é de uma receita líquida de US$ 11,3 bilhões, um Ebitda de US$ 4,7 bilhões e um lucro líquido de US$ 2,6 bilhões.

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