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dragão e tigre - Estradas no Paraná serão teste para taxa de retorno de concessionárias

Leilão de dois lotes acontece em setembro; operadoras, no entanto, comemoram queda de preços de insumos de obras

Augusto Diniz

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Os dois primeiros leilões de concessão de rodovias do atual governo federal acontecem nos dias 25 e 29 de setembro. Tratam-se de dois lotes – dos seis a serem concessionados – do pacote Rodovias Integradas do Paraná. Mas os principais grupos operadores de infraestrutura veem o negócio com cautela.

Tanto a EcoRodovias (ECOR3) quanto a CCR (CCRO3) estudam ainda a entrada na disputa. A favor está o fato de serem lotes de muito tráfego, já que envolvem trechos que passam pela região metropolitana da capital paranaense.

Marcelo Guidotti, CEO da EcoRodovias disse a analistas do mercado, para comentar os resultados do segundo trimestre, que os sistemas que vão a leilão são bastante “conhecidos e resilientes”.

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O executivo, no entanto, reclamou que “são dois lotes que têm taxa de retorno inferior ao que está sendo usado por outros projetos”.

E acrescentou que “é preciso avaliar os riscos alocados, a complexidade do capex e o fato de que são rodovias que há dois anos não estão sendo recuperadas”.

Ele considera que neste último ponto pode-se trazer um custo a mais inicial e prejudicar a taxa de retorno à concessionária.

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Leilão de Rodovias: Seletividade nos projetos

Como a EcoRodovias tem novas concessões com extensas obras a serem executadas, a expressão usada pelo CEO para os futuros leilões é “bastante critério”.

“Vamos ser mais seletivos e seguramente iremos escolher os projetos que sejam confortáveis à nossa capacidade (financeira)”, disse Guidotti.

Enquanto isso, Waldo Perez, CFO da CCR (CCRO3), também pontuou que o grupo está sendo criterioso com a participação nos próximos leilões de rodovia.

“Com relação aos lotes do Paraná, há como sempre, os competidores, que devem ser os mesmo, que tem ido frente a frente conosco”, disse.

“Vale lembrar que isso está em análise e os retornos estão um pouco apertados nesses dois lotes”, complementou o executivo da CCR, durante teleconferência para comentar os resultados do 2º trimestre.

Assim como a EcoRodovias, a CCR olha de muito perto a alta alavancagem e compromissos com as recentes concessões conquistadas. Mas crescimento orgânico segue no radar.

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Poder de fogo

“Para novos investimentos ainda temos poder de fogo. Vale mencionar que também temos alternativa de reciclagem de portfólio para abrir espaço no balanço”, afirmou Peres a analistas.

“Também conforme já fizemos no passado recente estamos abertos às parcerias onde há uma sinergia”, destacou. “São formas de crescermos de uma forma cautelosa, sustentável e sem onerar excessivamente o balanço”, pontou.

O CFO da CCR disse ainda que a estratégia é fazer apostas de novas concessões exclusivamente no Brasil nos modais de rodovias, mobilidade urbana e aeroportos, que são os que já atuam.

Nos dois lotes do Paraná a serem leiloados em setembro, o executivo fala em R$ 40 bilhões de capex. “Estamos analisando com muito carinho”, destacou.

Concessão da CCR (Divulgação)

Queda de preço de insumos

O fato de a projeção de capex (investimentos em capital) ter caído em razão da queda de preço dos principais insumos e materiais de obras ajuda, por outro lado, as operadoras de infraestrutura a olharem com mais atenção aos novos leilões.

O CEO da EcoRodovias destacou na tele de resultados a redução de preço de insumos e materiais para construção pesada.

“Estamos experimentado momento de deflação. O índice das obras (Índice Nacional de Custo de Construção) está praticamente estável”, afirmou.

Guidotti vê esse aspecto como importante para a manutenção do capex dentro do estimado, mas evitou dizer que esse cenário poderá provocar grandes economias de custo à empresa.

Pressão menor

“A pressão como todas as commodities tem diminuído de forma significativa desde 2021. Tivemos reduções relevantes em todos nossos insumos”, disse Waldo Perez.

“O aço caiu 9% do ano passado para esse ano. Só neste ano o CAP (cimento asfáltico de petróleo) reduziu 11,5%. Tudo isso tem influência no capex de cada um de nossos projetos”, ressaltou o executivo.

“Então nossas precificações já contemplavam preços e insumos maiores que estavam hoje, porém são investimentos de 10 anos, 15 anos. Ou seja, fazemos toda uma gestão de contratação para nossa área de suprimentos de forma a mitigar inesperados aumentos”, finalizou.

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