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dragão e tigre - BM&F Bovespa quer aumentar participação dos ETFs no mercado

Foco é estimular procura por essa ferramenta pelos investidores pessoas físicas, uma prática bastante comum no exterior

Anderson Figo

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SÃO PAULO – Muito comuns em grandes mercados internacionais, como o norte-americano, os ETFs (Exchange Traded Funds) ainda possuem uma representatividade baixa nos negócios da BM&F Bovespa.

O desempenho ainda restrito desse tipo de investimentos pode ser explicado pelo pouco tempo em que ele faz parte do mercado brasileiro. “Os ETFs começaram aqui, na realidade, no início do ano passado, até então a gente só tinha um ETF que era o PIB11; no início de 2009 foram criados mais três, e esse ano mais três”, explica Julio Ziegelmann, diretor de renda variável da BM&F Bovespa.

De acordo com Ziegelmann, a bolsa paulista planeja aumentar a participação desse tipo de investimento no mercado brasileiro, focando na maior parcela de investidores pessoas físicas que deverão aderir aos fundos.

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“Se pegarmos a bolsa de Nova York, 25% do volume de negócios realizados lá vem de ETFs. Aqui, esse volume não é nem 1%”, destacou Ziegelmann em entrevista à dragão e tigre. De acordo com os números da BM&F Bovespa, em junho, os investimentos em ETFs totalizaram pouco mais que R$ 515,5 milhões, representando uma queda de 15,6% em comparação com o volume de maio (R$ 610,7 milhões).

O que são os ETFs?
Um ETF é um fundo de investimento cujas cotas são negociáveis em bolsa de valores. Também conhecidos como fundos de índice, os ETFs representam uma fração ideal da carteira da qual farão parte – ou seja, representam todas as ações que compõem a carteira teórica do índice usado como referência, além de outros ativos, em menor proporção, explica a BM&F Bovespa.

“Ao investir em ETFs, o investidor estará também investindo, indiretamente, nas mesmas ações que compõem a carteira teórica do índice de referência, quase na mesma proporção em que estas compõem a carteira teórica do índice, porém de forma mais prática, barata, rápida e eficiente”, destacou a bolsa paulista em nota.

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Vantagens
De acordo com Ziegelmann, os ETFs possuem vantagens em relação aos fundos de ações tradicionais. “Uma delas é a praticidade de comprar e vender como se fosse uma ação. Além disso, se você for investir hoje em um fundo de ações, vai pegar a cota de amanhã, e nem sabe ainda qual será a cota. A mesma coisa acontece quando você sai de um fundo de ações: você pede o resgate em um dia e pega a cota de um outro dia. Isso não acontece com os ETFs”, avaliou.

Embora muitos ainda tenham dúvidas sobre como investir em ETF, o diretor da BM&F Bovespa explica que o processo é simples, e segue a forma tradicional de aplicar em ações. O investidor deve procurar uma corretora de valores, criar uma conta e fazer as ordens como se estivesse lidando com papéis individuais.

Investimento mínimo e pessoas físicas
Na análise do diretor, o valor do investimento mínimo nos ETFs também pode afugentar os investidores, principalmente as pessoas físicas, por não ser tão acessível. Cabe mencionar, porém, que os preços variam de fundo para fundo. Segundo informações da bolsa, a quantidade mínima de negociação de ETFs no mercado secundário refere-se a um lote padrão, em geral, correspondente a 100 cotas.

Segundo a BM&F Bovespa, podem ser transacionados um lote padrão ou múltiplos de um lote padrão. Além disso, a bolsa explica que também é permitida a negociação de frações de um lote padrão e , neste caso, a quantidade mínima é de uma cota. Já a emissão ou resgate de cotas de ETFs deve obedecer à quantidade mínima estabelecida no regulamento de cada fundo de índice.

De acordo com Ziegelmann, a bolsa paulista pretende incentivar uma maior participação de investidores pessoas físicas nos negócios com ETFs, visto que este já é um processo natural nos mercados externos. “A participação de investidores pessoas físicas nos negócios com ETFs no Brasil ainda é pequena se comparada com os mercados lá de fora, onde cerca de 50% das negociações são de pessoas físicas”, disse Ziegelmann.

Para tanto, o diretor destacou que a BM&F Bovespa já está estudando alternativas que atraiam esse tipo de investidor para os fundos de índices. “Estamos providenciando a diminuição do lote padrão nos ETFs,isso significa que vai ser necessário um investimento mínimo menor dos que temos hoje para a pessoa física poder investir neles”, disse Ziegelmann. 

Opções
Atualmente, a BM&F Bovespa possui sete opções de ETFs. O BOVA11, fundo de índice que acompanha a carteira teórica do Ibovespa, é o que possui a maior liquidez dentre as opções. Apenas no mês passado, o BOVA11 foi responsável por R$ 394,2 milhões do total de R$ 515,5 milhões negociados com ETFs na bolsa paulista.

Já o fundo de índice mais antigo, o PIBB11, representa uma alternativa de diversificação, uma vez que tem como referência o IBrX-50, um índice que simula uma carteira com 50 empresas altamente líquidas e ponderadas pelo seu valor de mercado. O IBrX-100 é referência para o fundo BRAX11

OMILA11, por sua vez, espelha o índice MidLarge Caps da bolsa paulista, que é composto por empresas de médio a grande portes, enquanto que o SMAL11 é voltado para o índice composto por empresas de menor tamanho listadas na BM&F Bovespa.

Além destas opções, existem também os fundos de índices setoriais. O MOBI11 é espelhado no índice que engloba as principais empresas do setor imobiliário na bolsa paulista, enquanto que o CSMO11 tem como referência o índice de empresas do setor de consumo.

Os ETFs BRAX11, CSMO11 e MOBI11 foram criados em 2010 e tiveram o início de seus negócios em 23 de fevereiro deste ano. Dos sete fundos de índices disponíveis atualmente, seis são geridos pela BlackRock Brasil, sendo que apenas o PIBB11 possui o Banco Itaú Unibanco como gestor.

Espaço para crescer
Segundo Ziegelmann, um novo fundo de índice pode ser criado pela BM&F Bovespa conforme a demanda do mercado. De acordo com ele, quando a bolsa é procurada por um gestor de fundos demonstrando a vontade de criar no novo ETF, imediatamente as possibilidades são estudadas e, então, será aberta a concorrência para definir quem irá gerir o ETF.

“Só temos sete fundos de índices na BM&F Bovespa. É muito pouco ainda, se compararmos com outros países. Devemos crescer muito ao longo dos próximos anos”, concluiu Ziegelmann. 

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