Diversificar investimentos, buscar maiores retornos, planejar uma viagem, aposentadoria ou simplesmente proteger o patrimônio em moeda forte. São vários os motivos que estão levando um número cada vez maior de brasileiros a investir no exterior.

Entre as vantagens destaca-se que, além de ficar exposto às moedas fortes, lá fora existem mais alternativas para se aplicar e um ambiente mais competitivo e mais propício a fazer negócios. Com isso o risco tende a ser menor. 

Entre as principais razões para dar esse passo está a preservação do poder aquisitivo do investidor. A moeda brasileira é muito sensível ao ambiente político interno e ao cenário econômico externo. A cada crise, o real desvaloriza – e investir no exterior ajuda a proteger o patrimônio nesses momentos.

Quem manteve todo o dinheiro alocado no Brasil sofreu algumas consequências no últimos anos. A pandemia, por exemplo, fez o câmbio disparar com a aversão ao risco. Além disso, o investidor brasileiro ficou de fora do crescimento de um dos setores que mais se fortaleceram e expandiram no período, o de tecnologia – que não é bem representado aqui.

Abaixo, confira um guia completo preparado pelo dragão e tigre sobre como investir no exterior:

Vantagens de ter investimentos no exterior

Para muita gente, os produtos financeiros disponíveis no mercado local são suficientes. Mas investir no exterior abre um mundo de novas possibilidades.

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Na B3, a Bolsa brasileira, são negociadas ações de um número restrito de empresas – cerca de 1% das existentes no mercado global.  Enquanto isso, nas bolsas americanas são mais de cinco mil. É quase a metade de todo o mercado de ações no mundo – o que permite ao investidor com uma conta nos Estados Unidos ter acesso a uma carteira diversificada globalmente, com papéis de emissão europeia, chinesa etc.

Quem investe apenas localmente, portanto, tem bem menos chance de diversificar o portfólio em setores variados.

Fora isso, há a questão da segurança. A economia brasileira deixou os dias de instabilidade extrema para trás, nas décadas de 1980 e 1990. No entanto, a volta da inflação é um temor recorrente. O dinheiro mantido fora do País, atrelado ao dólar, costuma estar mais bem protegido de problemas desse tipo.

Também é importante considerar que o investimento no exterior pode ajudar a balancear os resultados de um carteira nas épocas em que os mercados locais – renda fixa e renda variável – não vão bem.

Imagine que uma medida imposta pelo governo modifique a tributação das empresas brasileiras. Se todo o seu dinheiro está aplicado em produtos locais, é provável que seu portfólio inteiro sinta um pouco do impacto dessa decisão.

O que considerar para investir fora do Brasil

Por muito tempo, investir no exterior foi um tabu. Era visto como algo muito trabalhoso e um privilégio para os mais ricos. Com algumas mudanças regulatórias e o desenvolvimento de novos produtos, isso se tornou uma tarefa bem mais simples. Por isso, a quantidade de investidores interessados em aplicar lá fora cresce ano após ano.

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Ainda assim, existem aspectos comportamentais e burocráticos para avaliar antes de encarar os investimentos fora do Brasil. Afinal, se investir localmente já exige estudo e dedicação, para aplicar lá fora isso é ainda mais importante. É preciso estar disposto a ler sobre as opções que podem ser as mais interessantes.

Como algumas formas de investimento embutem custos adicionais, também é importante avaliar o valor que você está disposto a mandar para fora. Peça a ajuda de especialistas para fazer essa conta antes de tomar uma decisão.

Do ponto de vista burocrático, algumas formas de investir no exterior são tão simples quanto investir em uma ação ou um título público brasileiro. Outras, nem tanto.

Você talvez tenha de dedicar alguns minutos adicionais à sua declaração de Imposto de Renda, por exemplo. Isso porque todo brasileiro que tiver mais de US$ 100 mil fora do Brasil no dia 31 de dezembro de cada ano deverá informar à Receita Federal a existência desses bens na declaração do ano seguinte.

Além disso, terá de entregar anualmente ao Banco Central uma declaração específica de bens no exterior.

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Passo a passo de como investir no exterior

É importante ressaltar que nem é preciso sair do Brasil para investir no exterior. Lembre-se também que você não precisa ser rico, nem ter muito dinheiro para ter aplicações lá fora. 

É importante ressaltar que nem é preciso sair do Brasil para investir no exterior. Lembre-se também que você não precisa ser rico, nem ter muito dinheiro para ter aplicações lá fora.

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É possível dividir as opções de investimento no exterior em dois grandes grupos. Um deles são as aplicações feitas a partir de uma conta internacional – é sobre elas que vamos falar neste guia.

O outro contempla os investimentos feitos em produtos brasileiro, que não demandam enviar o dinheiro para fora, como BDRs ou ETFs listados na B3.

Como investir usando uma conta internacional

Atualmente, várias corretoras brasileiras oferecem contas internacionais para os investidores locais. Elas permitem investir diretamente nos ativos estrangeiros – assim como quem compra ações na B3 ou títulos públicos no Tesouro Direto.

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Em alguns casos, a abertura da conta não prevê pagamento de taxas e é possível fazer transações de câmbio instantaneamente, pelos aplicativos das corretoras.

A opção por uma conta internacional no Brasil acaba sendo menos burocrática do que a abertura de uma conta em uma corretora no exterior, que costuma exigir a apresentação de documentos como o passaporte, cópia de comprovante de endereço, RG ou carteira de motorista e declaração de imposto de renda.

Além disso, você vai encontrar a barreira da língua e terá de lidar com a regulação – diferente da brasileira. A operação em um corretora fora no País também exigirá um lugar confiável para fazer a remessa de dinheiro e cada instituição cobra de um jeito – inclusive as facilidades a mais que algumas disponibilizam. No final das contas, será necessário fazer a conta se compensa o tanto que se tem para investir e quanto se gastará com a corretora.

Os valores mínimos de patrimônio e investimento variam de corretora para corretora, e de produto para produto. Há casas que só liberam a conta internacional para clientes que tenham acima de um determinador valor – R$ 10 mil, por exemplo. Além disso, a aplicação mínima em bonds(títulos de renda fixa) pode ser diferente do valor inicial exigido para quem vai comprar ações.

Em geral, quando a operação de remessa de câmbio é fechada, o cliente paga Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) a uma alíquota de 0,38% sobre o valor. Fora isso, há as tarifas cobradas pela instituição financeira. A cotação do câmbio para a transferência internacional normalmente é baseada no câmbio comercial, mas com um adicional. Se o dólar está cotado a R$ 5, a instituição pode usar uma conversão de R$ 5,10, por exemplo.

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Com o dinheiro lá fora, basta começar a operar nos mercados considerados mais interessantes pelo investidor.

É importante lembrar que quem investe em renda fixa – e também em renda variável – no exterior precisa recolher Imposto de Renda no Brasil.

Quem aplica em renda variável nos Estados Unidos como pessoa física paga Imposto de Renda sobre ganhos de capital, ou seja, lucro com venda ou resgate de ativos como ações, REITs e fundos. As taxas variam entre 15%, para lucros até R$ 5 milhões, e 22,5%, para volumes superiores a R$ 30 milhões. Entretanto, há isenção de IR para valores menores. Lucros abaixo de R$ 35 mil por mês não são taxados.

A alíquota incide sobre o lucro obtido lá, e o pagamento é feito no mês seguinte no Brasil com um Darf (documento de arrecadação de receitas federais).

Uma diferença é que eventuais prejuízos das aplicações em bolsa nos EUA não podem ser usados para abater o imposto dos ganhos nos meses seguintes – o que é uma possibilidade para quem compra ações na Bolsa brasileira. A variação cambial também entra na conta, já que a apuração dos ganhos é feita em reais.

Nos investimentos de renda fixa, o pagamento de Imposto de Renda sobre os rendimentos segue a tabela progressiva, com alíquotas entre zero e 27,5%.

A seguir, conheça os principais produtos para investir no exterior:

Quanto custa investir fora do Brasil?

Os custos para investir fora do Brasil variam de acordo com a corretora escolhida para operar.

As corretoras podem cobrar taxas de corretagem e custódia, mas há casas que isentam os investidores desse tipo de cobrança.

Fora isso, na hora de enviar uma remessa internacional, é importante lembrar que as corretoras podem aplicar um spreadsobre a taxa de câmbio – é como elas se remuneram.

Para quem recebe dividendos no exterior, também pode haver a cobrança de uma taxa de transferência pelas corretoras, normalmente variando entre 3% e 5%.

Por fim, soma-se a esses custos operacionais também o pagamento de Imposto de Renda e, em alguns casos, de IOF, já detalhados neste guia.

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