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Setor de seguros debate como reduzir riscos temidos por líderes mundiais

GFIA estima lacuna de proteção global de US$ 1 tri para aposentadorias, US$ 900 bi para riscos cibernéticos, de US$ 800 bi para saúde e US$ 100 bi para catástrofes naturais
Por  Denise Bueno -
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Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do dragão e tigre ou de seus controladores

Com um horizonte incerto para 2024, com riscos que tiram o sono de governos e empresários, as seguradoras ocupam um espaço relevante nas discussões sobre o futuro do planeta. Executivos do setor participaram de discussões sobre os riscos mundiais em Davos, Suíça, na América Latina e no Brasil nesta primeira quinzena do ano.

As palestras, seminários e painéis realizados no Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês), que reúne os principais líderes do setor privado global e políticos, como chefes de governo e ministros de Estado, sobre desenvolvimento econômico tiveram como pano de fundo o Relatório de Riscos Globais, que ouviu mais de 1,4 mil lideranças e foi preparado em parceria com a seguradora Zurich, a corretora de seguros Marsh e o WEF. O estudo mostra que as condições climáticas extremas foram identificadas como o maior risco em 2024, seguido pela desinformação e informações falsas em segundo lugar, porém consideradas o risco global mais grave nos próximos dois anos.

“O relatório reforça o nosso compromisso e o importante papel do mercado segurador de apoiar continuamente as empresas, governos e a sociedade na compreensão e mitigação dos riscos e suas interconexões”, disse Edson Franco, CEO da Zurich no Brasil. “Nossa missão é auxiliar a sociedade na compreensão desses riscos, as suas interconexões, e refletir sobre que mecanismos, fundos, sistemas de proteção social empregar para mitigar os efeitos da recessão, da inflação, da disparidade social, e acelerar a transição a climática”, afirmou Eugenio Paschoal, CEO da Marsh McLennan Brasil.

Complementando esse estudo, um outro tão tradicional e importante, foi divulgado no último dia 15. Não à toa, incidentes cibernéticos, como ataques de ransomware, violações de dados e interrupções de TI ocupam a liderança no ranking dos problemas que tiram o sono dos principais executivos no mundo, como revela o Allianz Risk Barometer, que entrevistou mais de 3 mil profissionais de gerenciamento de riscos. No Brasil, os três principais riscos são de mudanças climáticas, interrupção de negócios e cibernéticos.

“Os principais riscos e as maiores ascensões no Allianz Risk Barometer deste ano refletem os grandes problemas enfrentados pelas empresas ao redor do mundo atualmente – digitalização, mudanças climáticas e um ambiente geopolítico incerto. Muitos desses riscos já estão impactando, com condições climáticas extremas, ataques de ransomware e conflitos regionais esperados para testar ainda mais a resiliência das cadeias de abastecimento e modelos de negócios em 2024. Corretores e clientes de empresas de seguros devem estar cientes e ajustar suas coberturas de seguro de acordo”, disse o CEO da Allianz Commercial, Petros Papanikolaou.

Os líderes mundiais destacaram que a geopolítica global e a urgência de uma agenda verde factual pautarão governos e empresários por um longo período. E é simples entender. O Instituto de Pesquisas de Paz de Oslo (PRIO) indica haver atualmente 55 conflitos envolvendo 38 Estados e calcula a média de duração deles em onze anos. Há uma década, o mesmo instituto identificou 33 conflitos com duração média de sete anos, afirmou Oliver Stuenkel, autor e especialista em geopolítica, analista político e professor de Relações Internacionais, em palestra na MAG Seguros, no dia 12 de janeiro, no Rio de Janeiro.

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“A transição energética diante das mudanças climáticas e seus impactos sobre a saúde e as pessoas é um tema recorrente nos debates mundiais. A boa notícia é que o Brasil, no âmbito econômico e diplomático, tem uma vantagem enorme. O país é e será um campeão em renovação energética, pois está muito bem-posicionado para fornecer energia verde”, disse Stuenkel.

Segundo ele, os olhos dos investidores estrangeiros brilham quando avaliam a América Latina. E, claro, isso faz os executivos de seguros abrirem um sorriso enorme. Afinal, todo investimento demanda uma diversidade de seguros para mitigar riscos. O Banco Mundial prevê um crescimento regional de 2,3% para a América Latina, acima do 1,9% estimado pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), enquanto a região continua a enfrentar níveis desafiadores de dívida e pressões fiscais. Mesmo longe de atingir metas satisfatórias, níveis mais baixos de inflação e redução do custo de vida são esperados pelos economistas na maior parte da região.

Apesar de economistas e executivos afirmarem que a América Latina é uma das regiões tidas como alvo dos investidores, a agenda do Brasil em Davos não empolgou as empresas globais, que ainda não enxergam uma trajetória de longo prazo e crescimento mais rápido do país. Mas não há o que tire o otimismo dos seguradores em todo o mundo em 2024, prevendo vendas superiores aos US$ 7 trilhões estimados para 2023.

No caso do Brasil, a expectativa é crescer. Só para citar um dos muitos seguros envolvidos, a apólice de garantia, que assegura a conclusão de obras mesmo diante de imprevistos, é tida como a bola da vez em 2024. Segundo pesquisa da BMG Seguros, existe um potencial de, em dois anos, a demanda pelo seguro garantia avançar 75% ou dobrar até 2026, saindo de R$ 4 bilhões em prêmios emitidos em 2023 para a faixa de R$ 7 bilhões a R$ 8 bilhões.

Antecipando a agenda de seguros para este momento mágico do crescimento da economia da América Latina, outro importante debate aconteceu no dia 18 de janeiro em Lima, Peru. A Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) apresentava projetos na Reunião Planejamento da Federação Interamericana de Empresas de Seguros (Fides).

As ações foram divididas nos pilares Inovação, Riscos Climáticos e Cyber e, se aprovadas pelo board da Federação, serão desenvolvidas e implementadas na região no triênio 2024/ 2026. “As propostas indicadas estão alinhadas com a missão da organização de promover o desenvolvimento do mercado segurador, apoiando, divulgando e promovendo os grandes benefícios que o setor pode trazer às economias e às pessoas dos países membros que representa”, disse Ana Paula de Almeida, diretora de Sustentabilidade e Relações de Consumo da CNseg.

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Em Riscos Climáticos, um dos maiores desafios enfrentados pelas seguradoras nacionais, a CNseg apresentou duas ações na pauta da Fides. A primeira é a criação de um hub latino-americano que contenha informação sobre as perdas seguradas derivadas dos fenômenos climáticos. A segunda está baseada na difusão do Seguro Social contra Catástrofes, projeto liderado pela entidade no Brasil e que já está em análise pelo governo federal.

O objetivo é mapear os produtos existentes, analisar como a região de atuação da Federação Interamericana se prepara para os riscos climáticos, além de apresentar às associações de seguros um projeto de desenvolvimento que proteja os moradores de localidades de riscos na ocorrência de desastres naturais.

Entre as propostas no pilar de inovação, há a criação do grupo de trabalho GlobalCap para a internacionalização dos produtos de capitalização, modalidade de seguro de baixo custo existente apenas no Brasil. Outra pauta é a criação de um hub latino-americano que contenha informação relacionada à cibersegurança. “A ideia é que seja possível mapear e quantificar os ataques cibernéticos sofridos pelo setor segurador nas regiões de atuação da Fides”, afirmou Almeida.

Uma coisa é certa. Todos estão com agenda cheia para surfar a onda do crescimento do Brasil, que contribuirá muito para o avanço do setor de seguros, que hoje tem participação de 6,4% no PIB brasileiro, com expectativa de chegar a 10% em 2030. O arcabouço regulatório de seguros se prepara para atrair investidores e é pauta do Ministério da Fazenda. O ministro Fernando Haddad pede urgência ao presidente da Câmara, Arthur Lira, para a votação de projetos de leis já em discussão adiantada.

“As mudanças regulatórias e legislativas fortaleceram muito o seguro garantia. A partir da entrada em vigor da nova lei de licitações, há um grande potencial de crescimento da apólice de garantia com retomada das obras de infraestrutura, um modelo que demanda bastante seguros”, disse Dyogo Oliveira, presidente da CNseg, que estima um crescimento de 20% para as variedades do seguro garantia somente neste ano.

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Que 2024 continue assim: com discussões que ajudem a mapear, gerenciar e compartilhar riscos. Em 2023, as perdas econômicas com catástrofes naturais superaram os US$ 250 bilhões. Deste valor, as re/seguradoras indenizaram US$ 95 bilhões.

Há muito risco para mitigar. Uma lacuna de proteção global de US$ 1 trilhão para aposentadorias, de US$ 900 bilhões para riscos cibernéticos, de US$ 800 bilhões para saúde e de US$ 100 bilhões para catástrofes naturais. Estes são alguns números do relatório da Federação Global de Associações de Seguros (GFIA), que representa as associações de seguradoras do mundo, sobre o gap de proteção de seguros necessária para fazer frente a perdas que o mundo enfrenta atualmente.

Denise Bueno Jornalista especializada em seguros, resseguros, previdência e capitalização, é fundadora do blog Sonho Seguro

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