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Após um ano turbulento para as criptos, o que podemos esperar para 2023?

2022 não foi um ano fácil para ninguém no mercado financeiro. Que venha 2023 com bons fluidos
Por  Gustavo Cunha -
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Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do dragão e tigre ou de seus controladores

Último artigo do ano e chegou a hora de fazer um balanço do que aconteceu em 2022 e afinar a bola de cristal para 2023. Então vamos lá.

Antes de começar fui ver o que havia escrito no final de 2021 sobre o que esperava ver no ano seguinte e no artigo colocava quatro grandes seguimentos para ficarmos de olho: WEB 3.0, DeFi 2.0, metaverso e NFTs. O que posso dizer agora é que tivemos muita coisa acontecendo nesses quatro seguimentos, mas o que marcou 2022 mesmo foram eventos menos nobres, para dizer o mínimo.

Sob muitos aspectos, 2022 reverteu a tendência positiva que encontramos em 2021.

Pode-se observar isso pelo mais lógico, o preço dos criptoativos: Bitcoin (BTC), Ethereum (ETH) e outros caíram significativamente durante 2022, mas, apesar disso, quando vemos os movimentos desses dois anos para esses ativos há uma mudança importante. Ao passo que o BTC se encontra em uma queda de quase 40% em relação ao seu preço de dois anos atrás (dez de 2020), o ETH está quase 90% mais alto.

Ao menos uma razão para isso consigo encontrar e ela está na atualização da rede Ethereum que aconteceu em setembro deste ano, na qual a rede deixou de ser proof of work para se tornar proof of stake. Isso tornou a rede mais estável do ponto de vista de custo de utilização e possibilita várias melhorias para frente. Escrevi sobre isso nesse artigo caso queira se aprofundar.

Uma outra coisa que pode estar em curso é uma maior diferenciação em relação às funções desses dois ativos, com o Bitcoin se colocando como uma criptomoeda e uma rede de segurança, sem censura e com um papel mais de reserva de valor para o mundo cripto e o Ethereum se consolidando como a principal plataforma a ser utilizada para o tão aclamado mundo da WEB 3. Isso traz perspectivas muito diferentes para ambos os ativos e um potencial de impacto (e valor) maior para o Ethereum do que o do Bitcoin. Será 2023 o ano para isso se demonstrar? A ver.

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2022 também será marcado pelas grandes crises no setor de criptomoedas. A começar pela TERRA-LUNA em maio, e culminando com a descoberta da maior fraude até o momento no mundo cripto, a da FTX. Pelo caminho ficaram várias plataformas centralizadas de gestão de cripto como a Celsius, 3 Arrows, entre outras.

Difícil saber se esse impacto se limita a 2022 e 2023 será um ano mais tranquilo em relação a isso, mas estamos agora em um momento muito delicado em que qualquer fragilidade pode gerar corridas e situações mais inusitadas.

O aprendizado disso vem de dois lados. Do lado cripto, com o “Not your Keys, not your money”, bravejando ao vento a ideia de que todos deveríamos custodiar nossos ativos. Um alerta sempre presente de que, se confiar em intermediários regulados já tem riscos, imagina então em não regulados.

Do lado do mercado financeiro tradicional temos a regulação a definir regras para as atividades de gestão de dinheiro de terceiros e que não estão ainda presentes em cripto. Isso parece ter vida curta.

2023 deve ter uma mudança do foco dos reguladores de cripto, que deve passar de ser, essencialmente, em relação ao dinheiro que vai para ele, mas também em relação ao que é feito com esse dinheiro. “Know your costumer“, AML, combate ao terrorismo foi o foco dos reguladores nos últimos anos, mas pouco se fez em relação ao que fazem com o dinheiro depois que ele está lá. Isso vale não somente para as exchanges, mas também para as stablecoins. Acredito que teremos em 2023 um maior foco nisso por parte dos reguladores.

Uma outra frase que ecoou muito em 2022 e que remete à crise do mercado financeiro tradicional de 2008 é que não há ninguém “Too Big to Fail“. FTX foi uma forma dolorida de constatar isso.

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2022 também foi marcado por um seguimento da institucionalização de cripto. Não foram poucas as instituições financeiras ou de pagamentos que, de uma forma ou de outra, colocaram o pé em cripto. Sobre isso, o que me parece claro é que o mercado financeiro tradicional acordou para o uso da tecnologia que ancora as criptomoedas, o blockchain. O termo tokenização se tornou a hype do momento e deve continuar forte em 2023.

Os modelos de negócio trazidos pelo “real yields” também foram uma “invenção” de 2022 que deve perdurar e ser melhorado em 2023. Modelo bem interessante que vem na esteira do DeFi 2.0 e que alinha os interesses dos usuários com os resultados da plataforma.

As DEX e mais especificamente as DEX de derivativos tiveram um crescimento enorme em 2022 e isso deve continuar em 2023. Um dos produtos nativos de cripto, os futuros perpétuos, estão no cerne desse desenvolvimento, e devem favorecer muito que tenhamos futuros de todos os ativos, cripto ou não, sendo negociados via DEX. Aqui incluo não somente ações, mas também moedas e sintéticos de títulos públicos.

Um outro aspecto muito testado e muito importante em cripto em 2022 foram os vários experimentos em DAOs que ocorreram durante o ano. Desde casos menos felizes como o da DAO da stablecoin BEAN, como as melhorias nas DAOS da makerdao e da uniswap, esse movimento parece estar só começando e deve se intensificar nos próximos anos.

Outro setor que eu via pouco impactado e que tem uma superfície de impacto enorme é o setor de seguros. Termos estruturas descentralizadas de diversificação de risco é um modelo que é buscado há tempos por essa indústria e que já começa a existir em cripto e deve ganhar tração.

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Uma outra coisa que não podemos deixar de fora é o grande crescimento dos projetos de CBDCs que ocorreu em 2022, com o Banco Central do Brasil encabeçando um dos projetos mais comentados e esperados do mundo dentre os Bancos Centrais do G20, o do Real Digital. 2023 deve trazer muitas discussões e novidades nisso também. Assim como tokenização, CBDCs e stablecoins devem seguir crescendo em discussões e importância nessa junção entre mercado cripto e mercado financeiro tradicional.

Juntando tudo, 2022 não foi um ano fácil para ninguém no mercado financeiro, e aqui incluo todos os ativos, cripto ou não. Que venha 2023 com bons fluidos. Como dizem nos corredores das startups, mercado “bear” é o melhor mercado para se desenvolver iniciativas que se tornarão as grandes vencedoras quando a onda virar. E, se tem uma coisa que podemos afirmar com certeza, é que essa onda virará. Um ótimo 2023 a todos!

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Gustavo Cunha Autor do livro A tokenização do Dinheiro, fundador da Fintrender.com, profissional com mais de 20 anos de atuação no mercado financeiro tradicional, tendo sido diretor do Rabobank no Brasil e mais de oito anos de atuação em inovação (majoritariamente cripto e blockchain)

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