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dragão e tigre - construtora que desistiu duas vezes de abrir o capital deve fazer IPO em 2024

A história do grupo fundado por Emilio Kallas há mais 40 anos, com faturamento de R$ 1,4 bilhão em 2022, é tema de podcast

Mariana Amaro

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O Grupo Kallas já tentou abrir seu capital algumas vezes na Bolsa de Valores, mas 2024 parece ser o ano em que os planos finalmente se concretizarão. “Estamos abertos para fazer o IPO. Obedecemos tudo, só não vendemos ações ainda. Tem muita gente que entra [na Bolsa] porque está precisando de dinheiro. Nós não temos problemas financeiros, nem de sócio, nem de sucessão, então vamos fazer quando houver a oportunidade”, diz Emilio Kallas, fundador do Grupo Kallas, em entrevista ao podcast Do Zero ao Topo.

O grupo, que reúne a Kallas, focada no segmento de alta renda, e a Kazzas, do setor econômico, apresentou um faturamento de R$ 1,4 bilhão em 2022 e uma receita líquida de R$ 653 milhões – um crescimento de 33,5% em relação ao ano anterior – tem mais de 40 anos de história.

Sua primeira tentativa de abrir o capital aconteceu em 2006, quando o Credit Suisse já havia sido contratado para coordenar a oferta, escritórios de advocacia estavam com todos os documentos preparados, e a obra que seria o cartão de visita para o IPO estava em lançamento. O Sky House custaria US$ 160 milhões – o equivalente a R$ 800 milhões no câmbio atual. “Essa obra representava 80% de tudo que eu ia lançar e estávamos com todas as licenças em dia. Vendemos, em pouco mais de 30 dias, 80% das unidades”, relembra.

Mas um embate com uma vizinha acabou emperrando a obra. “Recebemos uma liminar para parar a obra. E isso, para uma incorporadora, é uma sentença de morte”, diz. Ao final de meses de batalha jurídica, a obra finalmente começou a andar, mas os planos de abrir capital já estavam engavetados. “Perdi a oportunidade de abrir capital, mas pelo menos consegui vender tudo de novo. Não sei quanto abalou a minha saúde, mas fiquei sem dormir todo esse tempo”, diz.

A empresa retomou os planos de abertura de capital em 2019 e, mais uma vez, foram congelados, com a piora do mercado. “Agora, o Grupo Kallas anda sozinho: temos 80 empreendimentos e estamos reduzindo nossos estoques. Nosso grau de endividamento é baixíssimo e 96% do lucro da companhia é reinvestido”, afirma. Esses investimentos variam de inovações aplicadas às construções até incorporação de energia solar, espaço de coworking e desenvolvimento de gêmeos digitais nos edifícios do segmento econômico.

Como o negócio começou

Recém-saído do curso de engenharia da USP, Kallas arrumou seu primeiro emprego e lá ficou por 13 anos. “Pensava em sair, mas eu tinha duas famílias para sustentar – era divorciado e queria ajudar meus pais. Também me prometiam uma participação na empresa. Mas chegou uma hora que vi que não ia acontecer e pedi demissão”, afirma. Com capital próprio que tinha acumulado ao longo da vida – US$ 500 mil – ele começou a sua empresa. “Parece muito dinheiro, mas é pouco para começar uma empresa de construção. Tive sorte porque já sabia muito do meu negócio e conheci pessoas que toparam me emprestar o terreno para eu construir e pagar depois”, afirma Kallas.

Na verdade, Kallas comprou uma empresa que já existia. “Para conseguir um financiamento, eu precisava apresentar três balanços. Então comprei uma operação que já existia e que tinha começado em 1983”, afirma.

Com a empresa em mãos, o passo seguinte foi conseguir um contrato para a construção de cerca de 200 unidades populares em São Miguel Paulista. Com terrenos emprestados de amigos, Kallas conseguiu um financiamento da Caixa para começar a obra. “Fiquei enchendo a paciência do gerente para assinar logo. O documento tinha que vir de Brasília, mas irritei tanto o pessoal que mandaram por fax. Assinamos na sexta-feira e na semana seguinte, o [então presidente] Sarney encerrou essa modalidade de financiamento.

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Nunca mais teve”, afirma. Com esse financiamento, Kallas conseguiu ter caixa para manter as contas em dia enquanto os planos econômicos brasileiros passavam por uma série de mudanças. “Às vezes você tem um pouco de sorte, às vezes tem muito azar. Mas tem que ser estoico para passar por isso”, afirma.

“Não faço mais obra pública”

Depois de passar por algumas situações complicadas executando obras públicas, Kallas não entra mais em nenhum tipo de concorrência. Entre 1989 e 1993, durante a gestão de Luiza Erundina na prefeitura de São Paulo, Kallas fez uma série de obras para a prefeitura – e só foi receber por elas quase 30 anos depois. “Você executava o cronograma, mas eles mediam apenas aquilo que tinham para pagar. Entrei na Justiça e fui receber somente em 2021, quase 30 anos depois, e só porque aceitei entrar ter um desconto de mais 40% em cima do pagamento”, afirma.

O mesmo aconteceu com o governador de São Paulo da época, Luiz Antonio Fleury Filho, que abriu uma concorrência suis generis para a construção de presídios. “Eu, bobão, precisava de obra, e entrei. Se as construtoras atrasassem a obra, teriam que pagar uma multa de 40%. Por sorte, eu fiz com o meu dinheiro, mas muitas construtoras quebraram porque pegaram dinheiro com banco. Fui receber só em 2022 e, novamente, só com 40% de desconto”, diz.

A história do Grupo Kallas e seus planos para o futuro são o tema do episódio desta quarta-feira (6) do Do Zero ao Topo. O programa está disponível em vídeo no YouTube e em sua versão de podcast nas principais plataformas de streaming como ApplePodcasts,Spotify,Deezer,Spreaker,Google Podcast,CastboxeAmazon Music.

Sobre o Do Zero ao Topo

O podcast Do Zero ao Topo entra no seu quinto ano de vida e traz, a cada episódio, um empreendedor(a) ou empresário(a) de destaque no mercado brasileiro para contar a sua história, compartilhando os maiores desafios enfrentados ao longo do caminho e as principais estratégias usadas na construção do negócio.

O programa já recebeu nomes como o Fernando Simões, do Grupo Simpar; Stelleo Tolda, um dos fundadores do Mercado Livre; o empresário Abílio Diniz;Rodrigo Galindo, chairman da Cogna; Paulo Nassar, fundador e CEO da Cobasi; Mariane Morelli, cofundadora do Grupo Supley; Luiz Dumoncel, CEO e fundador da 3tentos; José Galló, executivo responsável pela ascensão da Renner; Guilherme Benchimol, fundador da XP Investimentos; e contou dezenas de histórias de sucesso. Confira a lista completa de episódios do podcast neste link.

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Mariana Amaro

Editora de Negócios do dragão e tigre e apresentadora do podcast Do Zero ao Topo. Cobre negócios e inovação.

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